O trecho do livro de Mateus que está entre os versículos 9 ao 15 do capítulo 6 apresenta aquela que se tornou a principal fórmula de oração da tradição cristã: a conhecida oração do Pai Nosso. Nela, Jesus Cristo apresenta uma espécie de “elementos essenciais” que devem fazer parte da agenda de oração dos seus discípulos e discípulas. Para compreender melhor essa oração é necessário levar em conta o contexto discursivo em que ela é apresentada. O contexto imediato é o discurso sobre “as práticas de justiça” – as esmolas, as orações e os jejuns – e o contexto geral é a série de proposições que Jesus estava realizando acerca das lógicas do Reino dos Céus.

O trecho do livro de Mateus capítulo 5, versículos de número 43 a 48 faz parte de uma série de discursos sobre a “promulgação do Reino de Deus”, uma espécie de teses necessárias e fundamentais para compreender o Reino dos Céus. Assim como Moisés fez uma espécie de “promulgação dos mandamentos de Deus”, com o objetivo de fundamentar a vida de fé do povo israelita, Jesus também fez uma série de discursos com o objetivo de apresentar os principais fundamentos do Reino de seu Pai. Nesse sentido, o centro do quinto capítulo, especificamente nos versículos mencionados acima, é a reinterpretação de um dos principais mandamentos da tradição mosaica: “Amar o próximo como a ti mesmo” (Mateus 19.19). Esse era o princípio fundamental para cumprir parte do decálogo de Moisés.